Sete primeiros longas de diretores que depois viraram nome grande
Existe um prazer específico em ver o primeiro longa de um diretor depois de conhecer o resto da obra: dá para identificar a obsessão que já estava lá, sem orçamento para escondê-la. Os sete filmes abaixo são estreias em longa-metragem de gente que depois passou a comandar produções muito maiores, e todos estão disponíveis por assinatura no Brasil. Ordem cronológica.
Mad Max (1979), 93 minutos — George Miller
O primeiro longa de George Miller é este filme de estrada australiano de baixo orçamento com Mel Gibson — antes dele, o diretor só tinha curtas. Trinta e seis anos depois ele faria Mad Max: Estrada da Fúria e, em 2024, Furiosa. O que já está inteiro na estreia é a noção de que perseguição é gramática, não enfeite. Curiosidade de elenco: Hugh Keays-Byrne está tanto neste filme quanto no de 2015. HBO Max.
Uma Noite Alucinante: A Morte do Demônio (1982), 85 minutos — Sam Raimi
É o primeiro longa de Sam Raimi, feito com Bruce Campbell e uma câmera disposta a fazer coisas que câmera não fazia. Vinte anos depois o mesmo diretor assinaria Homem-Aranha, e em 2022 Doutor Estranho no Multiverso da Loucura — e quem viu a estreia reconhece o gesto na sequência. Oitenta e cinco minutos de energia bruta. HBO Max.
Distrito 9 (2009), 112 minutos — Neill Blomkamp
Antes deste filme, Neill Blomkamp só tinha curtas na filmografia, entre eles Alive in Joburg, de 2005, que é o embrião direto do longa. A ficção científica em formato de falso documentário, com Sharlto Copley, abriu para ele uma carreira de orçamentos grandes: Elysium em 2013, Chappie em 2015, Na Mente do Demônio em 2021 e Gran Turismo em 2023. A estreia continua sendo a mais interessante das cinco. HBO Max.
Fruitvale Station: A Última Parada (2013), 82 minutos — Ryan Coogler
O primeiro longa de Ryan Coogler tem oitenta e dois minutos e um único dia de duração narrativa. Michael B. Jordan e Octavia Spencer sustentam um filme que não precisa de nenhum artifício, porque o público já sabe onde aquilo termina. Dois anos depois vieram Creed e, em 2018, Pantera Negra. É o mais curto desta lista. Prime Video.
Corra! (2017), 104 minutos — Jordan Peele
A filmografia de Jordan Peele como diretor de longas tem três títulos, e Corra! é o primeiro. Daniel Kaluuya, Allison Williams e Catherine Keener conduzem um filme que usa a mecânica do terror para falar de outra coisa — e o faz sem nenhuma hesitação de estreante. Prime Video.
Lady Bird - A Hora de Voar (2017), 94 minutos — Greta Gerwig
Este é o primeiro longa que Greta Gerwig dirige sozinha; antes dele, ela dividiu a direção de Nights and Weekends, de 2008, com Joe Swanberg. Saoirse Ronan e Laurie Metcalf fazem uma relação de mãe e filha que o filme se recusa a resolver. Timothée Chalamet aparece antes de ser Timothée Chalamet. Depois vieram Adoráveis Mulheres e Barbie. Netflix.
Hereditário (2018), 127 minutos — Ari Aster
Ari Aster vinha de curtas desde 2011 e estreou em longa com este, seguido de Midsommar em 2019, Beau Tem Medo em 2023 e Eddington em 2025. Toni Collette, Alex Wolff, Milly Shapiro e Gabriel Byrne formam a família, e a estrutura do filme é a de um luto que dá errado. É o mais longo do grupo, com cento e vinte e sete minutos. Prime Video.
O padrão que salta aos olhos: quatro das sete estreias são filmes de gênero de baixo custo, e em três casos — Miller, Raimi, Blomkamp — o diretor foi contratado depois para produções muito maiores. A estreia é onde a ideia aparece limpa, antes de o dinheiro chegar.
Este texto foi produzido pela redação da Cinematologia com apoio de inteligência artificial, a partir de dados de catálogo do TMDB (elenco, direção, datas e disponibilidade em streaming), e revisado antes de ir ao ar. Achou algum erro? Avise a gente.