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Análise

O Fim do Evangelho, ou o que animação adulta significa de verdade

Por Cinematologia · 25 de agosto de 2026

Nota 4

A expressão animação adulta costuma ser usada de forma preguiçosa, como sinônimo de desenho com sangue ou palavrão. Neon Genesis Evangelion: O Fim do Evangelho serve como definição mais rigorosa do termo. Lançado em 19 de julho de 1997, dirigido por Hideaki Anno e Kazuya Tsurumaki, com roteiro de Anno, é um filme de 87 minutos que usa a animação para encenar um colapso psíquico que dificilmente outra forma alcançaria. No Brasil, carrega classificação de 18 anos.

O ponto de partida é incomum. Trata-se de um final alternativo para a série de televisão, e o longa não faz concessão a quem chega sem contexto. A SEELE ordena um ataque à NERV para destruir os EVAs antes que Gendo Ikari provoque o Terceiro Impacto e a união das almas humanas. Quem não conhece esses nomes vai passar a primeira meia hora sem chão. É uma limitação real, e não adianta relativizá-la: o filme é o segundo movimento de uma obra maior, e não se sustenta sozinho.

Para quem tem o contexto, o primeiro ato é notável. O ataque à NERV é filmado como cinema de guerra, não como ficção científica. Soldados humanos executam técnicos desarmados em corredores, sem música heroica, sem contra-ataque catártico. A animação, que em geral estiliza a violência, aqui a torna administrativa. É uma escolha de tom que boa parte da ficção científica em imagem real não teria coragem de sustentar.

O segundo ato abandona a narrativa. O Terceiro Impacto é encenado em imagens que vão do simbólico ao abstrato, com inserções de material em imagem real e sequências que interrompem a lógica de cena. A trilha de Shiro Sagisu alterna coral e silêncio absoluto. Aqui o filme divide opinião com razão. Parte do público lê a passagem como ápice formal, outra parte como capitulação de um roteiro que não sabia fechar. As duas leituras têm base. A sequência é longa, repetitiva em alguns trechos e movida por urgência autoral mais do que por necessidade dramática.

O que salva o excesso é a coerência do desprezo. O filme é hostil ao próprio espectador, e essa hostilidade é o argumento. Shinji, dublado por Megumi Ogata, não é redimido. Asuka, na voz de Yuko Miyamura, não é recompensada. Misato, com Kotono Mitsuishi, é tratada com uma brutalidade que a série nunca ousou. A cena de abertura, com Shinji diante de Asuka em coma, é constrangedora de propósito e estabelece de saída que não haverá conforto.

O desfecho é a prova. Depois de uma dissolução cósmica que qualquer outro projeto usaria como epílogo grandioso, o filme termina em escala mínima: dois corpos numa praia e uma frase de repulsa que encerra tudo. Não há reconciliação, não há explicação, não há música consoladora sobre os créditos. É um final que se recusa a entregar significado, e a recusa é o significado.

Como obra isolada, é irregular e dependente. Como conclusão de um projeto, é uma das coisas mais radicais que a animação comercial já produziu. A nota reflete essa tensão. Quem chega pela série encontra um dos grandes desfechos do meio. Quem chega sem ela encontra 87 minutos de ruído formal impressionante e ininteligível, e não há como culpar esse espectador pela impressão.

Vale registrar o que o filme não é. Não é porta de entrada, não é aventura de robôs e não é o tipo de animação que se coloca para a família assistir junto. A classificação indicativa brasileira, de 18 anos, está correta.

Onde assistir

No Brasil, Neon Genesis Evangelion: O Fim do Evangelho está disponível por assinatura na Netflix, incluindo o plano com anúncios. Não há, no momento, opção de aluguel ou compra avulsa listada para o país.

Este texto foi produzido pela redação da Cinematologia com apoio de inteligência artificial, a partir de dados de catálogo do TMDB (elenco, direção, datas e disponibilidade em streaming), e revisado antes de ir ao ar. Achou algum erro? Avise a gente.