Oito filmes de terror que assustam sem susto barato
Susto barato é fácil de reconhecer: o silêncio artificial, o rosto que entra pela lateral do quadro, o acorde de violino no volume errado. O truque funciona por dois segundos e não deixa nada. Os oito filmes abaixo trabalham na direção oposta — constroem clima, deixam o espectador desconfortável e cobram a conta depois que ele apaga a luz. Todos estão em serviços por assinatura no Brasil, em ordem cronológica.
O Exorcista (1973), 132 minutos
William Friedkin gasta quase uma hora antes de qualquer coisa sobrenatural acontecer, e é essa hora que faz o filme. Exames médicos, corredores de hospital, uma mãe cansada: o horror chega depois de o espectador já estar exausto de burocracia. Ellen Burstyn, Linda Blair e Max von Sydow. HBO Max.
Alien: O Oitavo Passageiro (1979), 117 minutos
Ridley Scott filma uma nave industrial suja, com gente reclamando de pagamento, e só então solta o monstro. A criatura aparece pouco, e a decisão é deliberada: o que assusta é o corredor vazio, não o que sai dele. Sigourney Weaver e John Hurt no elenco. Disney+ e HBO Max.
O Iluminado (1980), 146 minutos
Stanley Kubrick constrói medo com simetria, carpete e travelling em altura de criança. Praticamente não há sobressalto sonoro no filme inteiro — há uma sensação crescente de que a geografia do hotel não fecha. Jack Nicholson e Shelley Duvall. É o mais longo da lista, e o tempo é parte do método. HBO Max.
A Bruxa de Blair (1999), 81 minutos
O filme de Daniel Myrick e Eduardo Sánchez nunca mostra nada, e é por isso que continua funcionando quando quase todo o found footage que veio depois já envelheceu. O terror é sonoro e verbal: gente perdida discutindo mapa. Oitenta e um minutos, o menor investimento de tempo desta lista. Netflix.
Extermínio (2002), 112 minutos
Danny Boyle abre com Londres deserta e passa metade do filme sem inimigo à vista. Quando a ameaça humana aparece, ela é pior que a infecção — o filme é sobre isso. Cillian Murphy antes de ser Cillian Murphy. HBO Max.
Cisne Negro (2010), 108 minutos
O TMDB classifica o filme de Darren Aronofsky como drama, thriller e terror, e a terceira etiqueta é a mais honesta. O horror é corporal e paranoico, filmado quase todo colado na nuca de Natalie Portman. Mila Kunis e Vincent Cassel completam o triângulo. Disney+.
Invasão Zumbi (2016), 118 minutos
Yeon Sang-ho põe a epidemia dentro de um trem e resolve tudo com encenação: quem está em qual vagão, qual porta abre para que lado. Não há truque de montagem escondendo o perigo, e o filme é mais tenso justamente porque mostra. Gong Yoo no papel principal. É também o mais emocional do grupo. Netflix.
A Autópsia (2016), 99 minutos
André Øvredal transforma um procedimento técnico numa das melhores estruturas de terror da década: dois legistas, uma mesa, um corpo que não faz sentido. Brian Cox e Emile Hirsch conduzem o filme quase inteiro em dois cômodos. É o exemplo mais claro da lista de terror construído por acúmulo de informação. Prime Video.
Uma observação de programação. Se a noite tem só uma vaga, A Autópsia é a aposta mais segura para quem quer medo sem compromisso histórico, e O Iluminado é a escolha para quem tem quase duas horas e meia e quer sair do sofá diferente. Os dois estão em serviços distintos, o que costuma decidir a questão sozinho.
Este texto foi produzido pela redação da Cinematologia com apoio de inteligência artificial, a partir de dados de catálogo do TMDB (elenco, direção, datas e disponibilidade em streaming), e revisado antes de ir ao ar. Achou algum erro? Avise a gente.